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Castilho pode ficar sem Carreta do Hospital do Amor em 2020

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Ausência a consultas e exames compromete inúmeros outros serviços e “rouba” vagas de outros cidadãos

 

A falta de compromisso de alguns castilhenses com a própria Saúde é algo que afeta não apenas a própria pessoa, mas principalmente as centenas de mulheres com idades entre 40 e 69 que cumpriram à risca todo o protocolo: agendar previamente as consultas e comparecer no dia e hora marcados.

A Carreta do Hospital do Amor (Barretos) chegou em Castilho na manhã do último dia 28 e iniciou o atendimento a partir das 14h. Problemas técnicos causados pela insuficiência de energia elétrica suficiente para abastecer os modernos equipamentos obrigaram a Secretaria de Saúde do Município a reagendar algumas consultas enquanto uma outra solução para contornar a falha provocada pela Elektro era procurada. Até aí tudo bem. A população reconheceu o problema e eficiência da Administração em resolvê-lo.

Neste mesmo dia, mais de 70 das 105 vagas ainda disponíveis (apesar da ampla divulgação realizada pela Prefeitura ao longo dos últimos dois meses) foram agendadas. Até a próxima sexta-feira, dia 14, a carreta realizará GRATUITAMENTE um total de 1.200 exames de mamografia utilizando alguns dos equipamentos mais modernos disponíveis no mercado. O agendamento do exame, além de gratuito, não depende de pedido prévio do médico. Outro fato extremamente importante é que as mulheres que realizarem o exame na campanha, ganham também o direito a todo o tratamento caso seja diagnosticado o câncer de mama.

Para melhor orientar as mulheres, equipes da Estratégia Saúde da Família estão em plantão diariamente no CIS para receber e auxiliá-las. Outra providência adotada pela Secretaria Municipal de Saúde visando possibilitar o acesso das mulheres que trabalham fora de casa no período comercial, é o funcionamento do CIS até as 19h em alguns dias (consulte as datas com seu Agente Comunitário ou diretamente no CIS, quando for agendar a consulta).

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DESCASO QUE CUSTA CARO – Apesar de todos os esforços das equipes de Saúde, a ausência de muitas mulheres às consultas agendadas pode comprometer o retorno da Carreta ao município em 2020 (as visitas acontecem a cada dois anos e as cidades precisam cumprir a meta de exames pré-fixadas). Segundo a Secretária de Saúde Janini Nascimento, uma média de 10 a 15 faltas estão sendo registradas diariamente desde o início da campanha.

“Estamos tentando reagendar com as pessoas que faltam sem qualquer aviso prévio, mas é complicado. Falta comprometimento da população com a própria saúde”, desaba a secretária. Dos 90 exames agendados para a última segunda-feira (03), apenas 76 mulheres compareceram.

O avanço do absenteísmo (ausência a consultas e exames agendados) é um fato que preocupa as autoridades castilhenses. “Estas faltas comprometem diretamente a quantidade de vagas disponibilizadas para o nosso Município. No caso de Barretos, pode inviabilizar o retorno da carreta daqui dois anos. No AME, estamos perdendo gradativamente as vagas com especialistas porque as pessoas simplesmente não comparecem no dia e horário agendado com bastante antecedência, mesmo sendo lembrados por telefone tanto pelo AME quanto por nossa equipe no CIS”, alerta Janini.

A Campanha Nacional de Combate à Pólio acaba de ser prorrogada. O principal motivo é que a grande maioria dos municípios brasileiros não conseguir atingir a meta mínima de imunizar 95% do público-alvo da campanha que são crianças menores de 5 anos. Segundo dados disponibilizados à nossa reportagem pela Secretaria de Saúde, Castilho não atingiu esta meta entre as crianças de 01 e 02 anos de idade.

A história se repete também nos exames de papanicolau (ou “preventivo”, como é mais conhecido entre as mulheres). Na média, são agendados 20 exames num dia e apenas duas ou três mulheres comparecem. O problema também acontece na área rural, onde ambulâncias do Município buscam pacientes para sessões de fisioterapia ou realização de exames e estes não comparecem ou utilizam o transporte apenas como carona para resolver outros assuntos particulares.

Importante frisar que a Prefeitura tem intensificado seus esforços para conscientizar a população e driblar o absenteísmo, utilizando os Agentes Comunitários de Saúde, reforçando os pedidos para que mantenham seus dados cadastrais sempre atualizados junto ao setor, ligando antes das consultas e exames agendados para reforçar o aviso, convidando a população para discutir este e outros problemas durante as Audiências Públicas de Saúde (às quais a presença popular é quase sempre irrisória).

No AME, por exemplo, todo este esforço da Administração contribuiu para reduzir as faltas primárias, mas para isso, foi preciso chegar ao extremo de ter que buscar em casa pacientes sem nenhuma dificuldade de locomoção.

Em poucas palavras, o comodismo castilhense pode custar caro ao município, comprometendo o acesso a diferentes serviços, num prazo não muito distante. Enquanto isso, centenas de pessoas aguardam em listas de esperas por outros serviços que dependem exclusivamente da capacidade operacional de atendimento de seus executores conveniados ao SUS ou ao Consórcio Intermunicipal de Saúde.

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Tags : Destaque